Constatar se um paciente está com algum problema de acuidade visual requer verificação de alguns parâmetros e, além da anamnese, alguns exames são realizados: refração, ultrassonografia, tomografia, retinografia e tantos outros… Certamente, acreditar nos resultados requer todo um preparo, treinamento e comprometimento da equipe que trabalha na clínica ou consultório para que se tenha certeza de sua confiabilidade.
Na saúde financeira de uma clínica ou consultório acontece exatamente a mesma coisa! Há que se ter todas as informações para que boas decisões sejam tomadas em favor do desenvolvimento do negócio, seja qual for a direção que seus sócios desejam. Informações atualizadas, verídicas, de boa qualidade e que abranjam os principais aspectos a ser avaliados.
Observo que em jogos de vôlei da Liga Mundial, o técnico vai avaliando a pontuação, os jogadores com melhor desempenho em cada posição, em cada tipo de jogada, a eficiência de cada jogada do time adversário, “pede tempo” para reorganizar o time e passar instruções específicas, pede revisão de alguma jogada polêmica, substitui jogadores de acordo com seus critérios e ao final do jogo cumprimenta o técnico adversário, como forma de fair-play.
Para fazer tudo isso, esse técnico recebe ao longo dos treinamentos todos os tipos de dados: qual a melhor jogada de cada jogador – saque, cortada, bloqueio, defesa, passe… melhor composição do time em função dessas características, condicionamento físico de cada um, táticas que mais se adaptam ao time, entre tantos outros.
Para tanto, existem auxiliares que coletam esses dados, que observam especificamente cada item relacionado a cada jogador. É uma verdadeira equipe extraquadra que está envolvida e comprometida em fazer o máximo para que o time acabe sendo campeão da temporada, e de muitas temporadas…
Já imaginaram se esses dados estiverem incompletos ou errados e se o técnico acabasse escalando jogadores que não soubessem passar a bola para o levantador preparar o ataque ou ainda que não soubessem sacar? Ou ainda contando com jogadores que não tenham idade para competir naquele campeonato, ou que não conhecessem as regras do esporte?
Muito bem, essa situação pode muito bem estar acontecendo em sua clínica ou consultório… Será que a equipe está registrando corretamente todos os eventos que acontecem no dia a dia?
• Cadastrando corretamente os pacientes com seus dados pessoais no sistema?
• Registrando os resultados dos exames com cuidado para que o oftalmologista tenha informações precisas para fazer o diagnóstico?
• Inserindo todos os dados financeiros do atendimento no sistema para posterior cobrança do convênio (sem glosas) ou diretamente do paciente?
• Fazendo relatórios de performance da clínica ou consultório para que se possa tomar as decisões estratégicas?
Quem faz as funções do técnico de vôlei em sua clínica ou consultório? E os colaboradores recebem as instruções do técnico durante o jogo e nos treinamentos da equipe?
A ideia deste artigo de hoje é justamente ressaltar a importância do trabalho em equipe para que se obtenham os melhores resultados de atendimento e também econômico-financeiros de uma clínica ou consultório.
Há de existir uma “equipe técnica” que trabalhe diretamente com o time, em treinamentos, avaliações, melhoria no rendimento de cada jogador. Por outro lado, há uma infraestrutura pronta “do clube” que abriga o time, que garanta a continuidade da equipe e participação nas competições de interesse.
Sem dúvida, o “Bernardinho” da clínica ou consultório deve ter conhecimento de tudo o que está acontecendo com as pessoas com quem trabalha, afinal ele é quem representa o time perante o adversário, o público e é quem comanda os jogadores.
São diversos os aspectos que devem ter atenção das clínicas e consultórios em relação à sua equipe: desde o número de pessoas necessárias para o bom atendimento, até a qualificação de cada um, formando um time vencedor.
Assim como no esporte, treinamento individual e em equipe, diálogo, especialização, motivação, trabalho conjunto fazem toda a diferença para que o time consiga progredir e vencer os desafios.
Sua clínica ou consultório tem funções definidas para cada profissional que lá trabalha? Existem objetivos definidos para cada um e/ou para o time? Há um plano de treinamento? Há a compreensão de que se trata de um negócio integrado em que todos estão jogando juntos?
Bernardinho comandou durante anos a equipe de vôlei do Brasil e colecionou inúmeros títulos, mantendo sempre a seleção brasileira no topo do ranking mundial. Certamente não fez isso sozinho – liderou a equipe toda. Nada disso teria acontecido sem a equipe e sem técnico e todos trabalhando em conjunto.
E na sua clínica ou consultório, o técnico está entrosado com a equipe? Existe foco nos jogadores e também na equipe de “suporte”? Onde estão as oportunidades de melhorar o desempenho do time?
Assuma o “Bernardinho” que existe dentro de você e vença os desafios de sua clínica ou consultório!

Jeanete Hezberg* Jeanete Herzberg é administradora de empresas graduada e pós-graduada pela EAESP/FGV. Autora do livro “Sociedade e Sucessão em Clínicas Médicas”. Membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia, gestão 2016-2018.