Michael A. Wards Adaptado do artigo “Recognizing the signs of corneal ectasia”, da Review of Ophthalmology, setembro 2005
Exames de rotina são extremamente importantes para que o oftalmologista detecte possíveis mudanças no estado refrativo ou perceber processos inflamatórios. Infiltrados corneanos com manchas (possivelmente úlceras) geralmente exigem cuidados médicos. Detectar topografias irregulares da córnea e identificar ceratocone é particularmente importante na seleção de potenciais candidatos a cirurgia refrativa.
Identificação precoce de ceratocone O ceratocone é uma ectasia corneana progressiva e não-inflamatória com astigmatismo miópico regular misto associado. Sua prevalência varia de 50 a 230 em cada 100 mil indivíduos e pode ser encontrado em todas as raças. A condição geralmente se manifesta durante a puberdade e progride durante a terceira ou quarta década de vida do paciente. A taxa de progressão se torna mais lenta e geralmente pára quando o paciente tem entre 40 e 50 anos. Não é muito comum que o ceratocone apareça depois dos 50. Alguns sinais e sintomas associados a ceratocone incluem: - diminuição na acuidade visual melhor corrigida; inabilidade para corrigir para 20/20; - mudanças de prescrição no poder e eixo do cilindro; - miopia progressiva; - necessidade de “apertar” os olhos para enxergar; - reclamações de sombras ou “fantasmas” na visão Uma das primeiras pistas de que alguma coisa está errada pode ser uma mudança na refração do paciente. É comum observar aumentos adicionais no componente esférico (miópico) da prescrição durante a adolescência e nos primeiros anos da vida adulta. Encontrar uma mudança no componente cilíndrico da refração, entretanto, não é normal. Com algumas raras exceções, o valor e o eixo do astigmatismo de um paciente não muda de um ano para outro. O exemplo a seguir ilustra a mudança na prescrição que pode causar preocupação: Prescrição das lentes de óculos no ano passado: OD: -3.00 + 1.00 X 90º Prescrição das lentes de óculos esse ano: OD: -4.74 +2.75 X 60º. Essa mudança tanto no valor quanto no eixo da correção do astigmatismo poderia ser uma causa para uma análise mais detalhada. Uma pequena mudança no valor de correção do cilindro, + 0.50 D, é aceitável. Mudanças dióptricas maiores que 1D devem levantar suspeitas. Por outro lado, mudanças no eixo astigmático do paciente, + 20º, são pouco comuns e exigem uma melhor avaliação. Em ceratocone, o eixo do astigmatismo, como medido pelo ceratômetro ou topógrafo corneano, geralmente começa como um astigmatismo normal a favor da regra (poder de adição de ou próximo de 90º) e vai em direção ao oblíquo (45º ou 135º) à medida que a condição avança. Uma análise mais profunda envolve a medição da curvatura da córnea. As figuras 1A e 1B mostram a transformação de uma topografia de normal para suspeita. A figura 2 representa um ceratocone precoce para moderado. Deve-se notar que a metade superior da córnea parece normal. Isso é esperado, já que as mudanças de ceratocone geralmente afetam a porção inferior da córnea antes. Para fazer um diagnóstico de ceratocone, o oftalmologista deve examinar a córnea em relação a cicatrização estromal, afinamento, anéis de Fleisher (pigmento de ferro) e estrias de Vogt (estrias verticais no nível da membrana de Descemet). Outra forma de ectasia corneana, a degeneração marginal pelúcida (DMP), pode ser diferenciada de ceratocone por seu eixo do astigmatismo. Como dito anteriormente, o eixo primário em ceratocone começa a favor da regra e se move em direção ao eixo oblíquo. O eixo primário na degeneração marginal pelúcida é contra a regra (poder de adição de ou próximo de 180º). Adicionalmente, a imagem da lâmpada de fenda do DMP mostra afinamento corneano estromal marcado perto do limbo inferior. No ceratocone, o ápice do cone e o afinamento corneano estão geralmente localizados mais no centro. Ectasias corneanas também podem ser criadas por lentes de contato. Tanto lentes rígidas quanto gelatinosas podem alterar potencialmente o formato da córnea. Uma lente de contato mal adaptada pode moldar a córnea e imitar topografias irregulares como ceratocone. É possível perceber intuitivamente como lentes rígidas moldam e dão novo formato à córnea. Entender como lentes gelatinosas podem fazer o mesmo é um pouco menos óbvio. As categorias de lentes gelatinosas mais propensas a modelar a córnea são de materiais duros, lentes grossas com pouca água, lentes de uso contínuo e lentes adaptadas de maneira muito inclinada. O modelamento corneano induzido por lentes de contato é geralmente associado a perda de acuidade visual melhor corrigida. A boa notícia é que a maioria das córneas voltam ao normal e readquirem seu grau anterior de visão melhor corrigida depois de interrompido o uso das lentes. Mudanças em refração e irregularidades topográficas corneanas podem indicar que uma córnea não está saudável. Vermelhidão ocular também sugere um envolvimento da córnea. Inflamações oculares podem ser infecciosas, não-infecciosas, insignificantes ou ameaçadoras. Entretanto, uma simples injeção ocular não indica qual a possível causa. Vermelhidão é uma resposta não-específica que apenas indica que algo está irritando o olho. Entre usuários de lentes de contato, isso pode acontecer em função de um ambiente seco, reação a solução ou lentes muito justas ou pode ser tão séria quanto uma ceratite infecciosa. Mudanças nos componentes de eixo e cilindro da refração dos óculos, melhor visão corrigida, ceratometria irregular e/ou mapas topográficos e injeções requerem uma avaliação detalhada para determinar sua importância e a causa. Muitos desses sinais de mudança podem ser detectados durante avaliações de rotina.
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Figura 1A: Imagem de topografia normal da córnea |
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Figura 1B: Mudança de topografia normal para suspeita |
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Figura 2: Ceratocone moderado |
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Figura 3: Ectasia corneana |
Imagens: reprodução
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