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Sérgio Vieira
Há pouco mais de 15 anos, no início da década de 90, o Brasil engatinhava no número de cirurgias de catarata, com cerca de 65 mil intervenções cirúrgicas por ano. Hoje, esse número passa dos 420 mil. Boa parte desse crescimento estrondoso deve-se à implantação de uma tecnologia, criada no Hospital das Clínicas de Campinas, no interior de São Paulo: o Projeto Mutirão. Idealizado pelo chefe do departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe da disciplina de Oftalmologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Newton Kara José, o programa virou referência mundial e hoje é realizado em praticamente todo o país.
Apesar de simples, a idéia é extremamente interessante e eficaz: trazer o paciente de sua casa para o consultório com a perspectiva real de resolver o problema em alguns minutos. Isso significa dizer que, na maioria dos casos, o doente deixa o hospital já com a cirurgia marcada – se for o caso – para poucos dias e com a possibilidade de vislumbrar uma solução para a doença. Esse talvez tenha sido o grande “pulo do gato” da idéia de Kara José, que gerou a primeira campanha em 1987. Felizmente, hoje a proposta está disseminada no Brasil e é realizada de várias formas, por meio de convênios entre hospitais e poderes públicos da região. Atualmente, nem mesmo Kara José consegue ter idéia exata de quantos mutirões já foram realizados desde então, mas arrisca dizer que o número já ultrapassa 500. Em quase vinte anos, graças a essas iniciativas em todo o país, já foram feitas cerca de cinco milhões de consultas e um milhão de cirurgias. Só no Hospital das Clínicas de Campinas, onde tudo começou, já foram operados mais de 10 mil pacientes nesse período.
O pioneirismo dos mutirões logo extrapolou os limites da catarata. Tornaram-se sinônimo de vanguarda quando foram adotados também por outras subespecialidades. Há sete anos foi criado o programa de prevenção à retinopatia diabética, um problema comum entre portadores de diabetes. Os “pais” da proposta foram Rubens Belfort Júnior, Michel Eid Farah e Paulo Henrique Morales, especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A proposta surgiu também da grande demanda que o hospital absorvia desse problema. Com o mutirão, além de agilizar o tratamento, foi possível realizar vários estudos sobre a condição. “Descobrimos que de 8 a 10% dos pacientes necessitavam de tratamento a laser na primeira consulta, 50% dos diabéticos nunca tinham ido a um oftalmologista e que 30% não tinham idéia de que diabetes poderia causar cegueira. Esses números nos impressionaram e alertaram”, conta Farah, coordenador dos mutirões até 2002. Outro programa de destaque nessa linha de mutirões foi a campanha de reabilitação visual “Olho no Olho”, implantada de 1998 a 2001 em parceria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Ministério da Educação (MEC). O programa era voltado a crianças em idade escolar. O próprio censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2000, comprovou a necessidade desse tipo de ação. Cerca de 16,5 milhões de habitantes – o que representa quase 10% da população – têm algum tipo de deficiência visual no Brasil e, desse total, cerca de 20% a 30% correspondem a crianças. O programa deu tão certo que em apenas quatro anos foi o responsável pela doação de exatos 343.775 óculos, além da realização de 759.321 consultas. O “Olho no Olho” foi realizado em 3.245 municípios brasileiros e contou com a colaboração de 274.980 professores. O projeto foi considerado pela ONU o maior programa de saúde ocular do mundo. Mas nem sempre o ritmo das ações governamentais vai na mesma toada da necessidade da população. A partir de 2002, o governo federal deixou de investir na proposta, devido aos custos da empreitada. Mesmo assim, ainda são feitas ações regionais do programa, em parceria com entidades e governos. O CBO, por sua vez, insistiu no caminho e buscou novos parceiros. No ano passado, o órgão, em parceria com a Frente Parlamentar de Saúde, criou o programa “Pequenos Olhares”, que além da doação de óculos, também proporciona um dia de ensinamento sobre prevenção à doenças oculares que afetam as crianças. Implantado pelo ex-presidente do órgão, Elisabeto Ribeiro Gonçalves, o “Pequenos Olhares” já esteve em centenas de cidades brasileiras e hoje também é referência nesse tipo de tratamento.
O “pai” do mutirão O oftalmologista Newton Kara José lembra que a idéia de implantação de mutirão no país começou em 1986, em Campinas. Nessa época foram realizados dois estudos na América Latina, graças a estímulos da Associação Pan-Americana de Oftalmologia e do National Eye Institute, dos Estados Unidos, para detectar a incidência de portadores de cegueira por catarata no Brasil e no Peru. Foram adotados sistemas de abordagem residencial em Campinas e na cidade de Chimbote, com triagem especial para população acima de 50 anos, oferecendo exame oftalmológico e cirurgias para casos em que elas fossem necessárias. “Já existia sistema parecido em alguns países, mas eu adaptei e trouxe para o Brasil. Nesse primeiro projeto, conseguimos uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Hellen Keller International, dos Estados Unidos, e visitamos 25 mil residências em Campinas”, lembra. Mesmo assim, esse sistema não se mostrou muito eficiente, já que os custos de implantação eram muito altos e os índices de rejeição também eram grandes. De qualquer forma, foi possível ter um panorama mais próximo da realidade em relação ao número de casos da doença. A primeira campanha, efetivamente nos mesmos moldes que conhecemos hoje, foi realizada em 1987 na região de Campinas, com o nome de “Zona Livre de Catarata”. Nesses municípios, os índices da doença eram alarmantes. Em todos os municípios da região, e em dezesseis da bacia hidrográfica do rio Mogi-Guaçu, apenas 15% da população cega por catarata conseguia fazer a cirurgia. Muitos, já diagnosticados, desistiam da operação porque não viam perspectivas de atendimento no curto prazo. Em 1988, Kara José reuniu em São Paulo especialistas de onze países com o objetivo de disseminar a proposta em toda a América Latina. Os países participantes se comprometeram a iniciar projetos semelhantes. Paralelamente, o programa da Unicamp foi levado para diversas partes do Brasil, além de cidades do interior de São Paulo e Vale do Paraíba, mostrando a viabilidade e eficácia do processo. Até essa data somente Campinas e Chimbote realizavam o “Zona Livre”. Apesar de ter se demonstrado eficaz, a princípio Kara José não acreditava que encontraria uma demanda reprimida tão grande da doença. “Eu não acreditava em cegueira por catarata no Brasil. Todos os pacientes que chegavam em meu consultório ou no hospital público eram operados. Mas aí fui convidado para uma reunião em Washington, em 1986, em que fui alertado sobre o grande número de cegueiras por catarata na América Latina”, lembra. “Os especialistas americanos disseram que estávamos atendendo somente os que chegavam ao consultório, mas esse número não dizia nada em relação aos que precisavam de fato. Quando fiz o primeiro projeto em Campinas, tinha certeza de que não ia achar nada. E a minha surpresa foi grande. Isso mostrou que mesmo em Campinas o número de operados era muito pequeno.” Hoje a catarata é a maior causa de cegueira nos países em desenvolvimento, atingindo 2% da população acima de 50 anos. Em 1994 o projeto ganhou novo fôlego, com a participação efetiva do CBO e do Lions Clube. O mutirão passou a se chamar Sight First e espalhou o conceito de atendimento a várias capitais brasileiras. Uma década depois dos primeiros estudos, foi implantado um megaprojeto em 151 cidades do Brasil, com oftalmologistas de todo o país reproduzindo o modelo proposto e desenvolvido pela Unicamp. Foi somente em 1998, entretanto, que o governo federal assumiu um investimento significativo no programa. Até então, os recursos liberados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) eram limitados. O apoio do Ministério permitiu a realização de 142 mil cirurgias a mais naquele ano e de 200 mil cirurgias por ano nos períodos subseqüentes. A criação do projeto de mutirões rendeu a Kara José diversos prêmios. Entre eles, destacam-se o Prêmio Congresso Brasileiro de Oftalmologia e o Lions Humanitary Award. Os 250 mil dólares, conquistados pelo especialista como prêmio, foram doados à Unicamp, possibilitando a construção de uma nova ala de oftalmologia. Apesar do crescimento vertiginoso em pouco tempo, Kara José acredita que o Brasil tem potencial para atingir a marca de 800 mil cirurgias de catarata ao ano. O que falta, na sua opinião, é uma participação mais efetiva do poder público. “O país tem oftalmologistas, instituições voltadas para isso. O que precisa é a fonte pagadora, que é o governo. O poder público sempre vem a reboque da comunidade. Cabe a sociedade mostrar o que é necessário e mostrar o caminho. A comunidade moderna é uma cooperação estreita entre Estado e população”, analisa. Talvez a grande recompensa de Kara José por ter iniciado esse projeto seja o número significativo de pessoas que puderam recuperar, se não totalmente, pelo menos parte da visão. Para muitos, isso significa muito mais do que enxergar: representa também um resgate à cidadania e a volta ao convívio social. Resultados que o trazem uma agradável sensação de dever cumprido. “Isso é uma grande realização. Ainda sou responsável pelos mutirões da Unicamp e da USP, com cerca de oito eventos por ano. Não abro mão de participar ativamente dessas tarefas”, diz.
Retinopatia dibética: um novo alvo Com a eficácia da proposta dos mutirões da catarata, novas subespecialidades passaram a fazer parte desse rol de atendimentos diferenciados. Segundo Michel Eid Farah, o mutirão da retinopatia diabética começou com o número de pacientes com diabetes que eram encaminhados ao setor sem ter conhecimento da doença. “A demanda era tão grande que se abríssemos todos os horários apenas para retinopatia certamente lotaríamos o laboratório. Por conta disso, a demora para atender esse paciente era muito grande. Precisávamos, então, diminuir o tempo e aumentar o número de pessoas atendidas. E deu certo”, conta. “O mutirão foi o principal mecanismo por meio do qual pacientes sem indicação de tratamento convencional tiveram a oportunidade de participar de pesquisas internacionais para prevenção da progressão da doença”, continua. “Isso permitiu incluir competitivamente o maior número de pacientes, entre todos os centros envolvidos de outras entidades da América do Norte e da Europa, em dois ensaios clínicos multicêntricos sobre o estudo, o que fortaleceu o trabalho da Unifesp e demonstrou a importância desse programa desenvolvido no Brasil.” A proposta já foi importada por diversos países da América Latina. Um dos segredos do mutirão é que ele não se resume ao tratamento e possui também um caráter educativo. “Usamos o anfiteatro da faculdade para dilatar a pupila e, enquanto isso, damos aulas sobre como cuidar da diabetes e esclarecer dúvidas. Passamos a fazer mutirão com múltiplas facetas, envolvendo estudantes, voluntárias e a própria sociedade. Quando criamos, não tínhamos a intenção de salvar a população da retinopatia, mas encontramos uma forma de gritar para todos que o problema existe e que deve ser cuidado com atenção”, diz. O atual coordenador do Mutirão da Visão – que hoje oferece atendimento tanto em catarata quanto em retinopatia diabética – da Unifesp, Paulo Henrique Morales, considera a barreira econômica um grande complicador para a realização de um tratamento eficaz, já que são necessários dezenas de retornos a hospitais. Com o mutirão, parte desse problema é resolvido. “Em média, uma pessoa que realiza todo o tratamento no hospital necessita de aproximadamente 72 conduções, somando-se o transporte de algum acompanhante (Em São Paulo, por exemplo, com o transporte público a R$ 2, seriam necessários R$ 144 somente com ônibus. Para muitos seria impossível desprender-se desse recurso, que representa quase a metade do salário mínimo). Com a possibilidade do mutirão, o número de passagens cai para 8 (representa, no mesmo exemplo, R$ 16)”, analisa. Hoje o SUS banca os custos do mutirão – da ordem de R$ 30 mil – e ajuda a realizar o atendimento a cerca de quatro mil pessoas por mutirão. Além dos pacientes, Morales acredita que os próprios residentes também conseguem tirar proveito das ações realizadas em mutirões. “Essas atividades criam no profissional a conscientização da necessidade do atendimento público no país. Cria também a necessidade da visão social da saúde, o que é muito importante”, conta Morales, que participou de seu primeiro mutirão em 1993 em um mutirão na periferia de São Paulo, ainda como residente.
Em busca de outras subespecialidades Já há quem acredite na necessidade de implantação de outros mutirões, como refração. Segundo o coordenador da Comissão de Ensino do CBO, Paulo Augusto de Arruda Mello, esse tipo de atividade poderia auxiliar na detecção de outras doenças. Em julho desse ano, a Unifesp chegou a realizar um mutirão de refração em parceria com a Prefeitura de São Paulo. “O governo tem que enxergar a necessidade dessas atividades ligadas a refração. Com essa campanha, poderiam ser abordadas e tratadas outras doenças, detectáveis pelos mesmos equipamentos. Além de econômico, resolveria o problema de grande parcela da sociedade”, explica. “Os programas para crianças deveriam ser ampliados para atender também adultos, principalmente os que não têm condições de realizar tratamento ou mesmo comprar óculos.” Uma das subespecialidades em que não há a expectativa de implantação de mutirão no curto prazo é o glaucoma. Pelo menos na Unifesp não há previsão para isso. Para Mello, a dificuldade de diagnóstico e a demora no atendimento são alguns dos complicadores para a implantação dessa proposta. “O diagnóstico do glaucoma é muito complexo. Quando o estágio está avançado não é difícil de detectar. O problema é quando está em fase inicial. A possibilidade de um falso positivo é muito grande. E como fica se o médico disser que o paciente não tem a doença e mais tarde ela for detectada? Além disso, os custos são muito altos, já que o paciente tem que ser tratado por toda a vida”, diz. Estima-se que existam no Brasil cerca de 900 mil portadores de glaucoma. Uma das alternativas, segundo o especialista, é realizar campanhas educativas e de orientação sobre a doença. “A Associação Brasileira de Portadores de Glaucoma (Abrag) tem feito um trabalho importante de educação aos pacientes. Muitos não sabem sequer pingar o colírio. Essa pode ser uma das propostas para ajudar no combate à doença”, analisa.
Registro na história Apesar de ganhar destaque na mídia e ser considerado referência mundial, não há um registro completo de toda a história dos mutirões. Para preencher um pouco essa lacuna, a pedagoga e auxiliar de oftalmologia Regina Carvalho de Salles Oliveira resolveu, há sete meses, registrar essa história em livros. O primeiro, que vai tratar da campanha “Olho no Olho”, será publicado em fevereiro do ano que vem, durante o Mundial de Oftalmologia, em São Paulo. “Trabalhei com o doutor Newton durante 20 anos e em uma oportunidade ele conversou com o doutor Elisabeto (ex-presidente do CBO) sobre a necessidade de guardar toda essa memória. Aí surgiu a idéia do livro. Temos que deixar para outras gerações tudo o que foi feito de qualidade e virou um marco na oftalmologia”, conta. Depois desse, Regina deverá se debruçar sobre a história dos mutirões da catarata, da retinopatia diabética e de outras campanhas sociais realizadas pelo CBO. Mesmo com o sucesso dos mutirões e com o fantástico know-how adquirido pela classe médica brasileira, Mello pondera a necessidade de um controle maior para que não haja um “retorno comercial” por conta desse tipo de ação. “Existem clínicas particulares que realizam campanhas e encaminham depois os pacientes para os seus próprios profissionais. Isso não é correto. Precisamos fazer algo que vá ao encontro do problema de saúde pública no Brasil e não uma colheita de pacientes. Por isso, as campanhas têm que ser muito bem planejadas”, ressalta. Ele lembra que já houve um estudo por parte da Câmara Técnica do Conselho Regional de Medicina (CRM) para que toda campanha social tivesse um registro e uma autorização prévia do órgão, mas a idéia não vingou. A proposta ainda é bastante discutida entre os profissionais do setor. “Esses maus profissionais não podem prejudicar a imagem de um projeto fantástico como o criado pelo Newton”, finaliza.
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Inúmeros pacientes vêm de outras cidades para ser atendidos nos mutirões |
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De olho nas crianças: quase 350 mil óculos doados |
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Mutirões: participação ativa de residentes e voluntários |
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Iniciativa também promove treinamento de professores |
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Tratamento e educação são os principais componentes das campanhas |
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Morales: mutirões resolvem problema da barreira econômica |
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Um dia de soluções
Sair de casa à meia-noite, enfrentar cinco horas de viagem, vencer mais de 350 quilômetros. Nada disso desanimou o aposentado Samuel Gomes dos Santos, que no dia 01 de outubro veio a São Paulo, com um grupo de 24 pessoas da cidade mineira de Alfenas para participar do Mutirão da Visão da Unifesp. Dessa vez, havia um motivo de alegria. Pela primeira vez, desde que contraiu a retinopatia diabética e passou a freqüentar os mutirões da universidade, não precisou realizar tratamento a laser. Sinal de que a doença está regredindo. “Vale a pena o sacrifício da viagem. Além de ser muito bem atendido, não gasto com o tratamento, que não poderia fazer se tivesse que pagar”, diz o aposentado, que tem diabetes desde 1979 e retinopatia desde 1981. E ele já garantiu que em dezembro estará de novo em São Paulo, para participar de mais um mutirão. Já Adalberto Francisco Alves só descobriu no dia do mutirão que tinha diabetes. Mas a aparente preocupação deu lugar a tranqüilidade, quando comemorou o fato de já deixar o hospital com a cirurgia marcada, para o dia 11 de novembro. “Sempre tive uma vista boa e só de uns tempos para cá comecei a sentir uma espécie de um ‘bichinho dentro do olho’. Mas tenho certeza de que daqui a pouco vou voltar a enxergar normal”, diz. Ao todo, estiveram envolvidos 100 funcionários da universidade, 30 residentes, além de 300 voluntários de outras faculdades. Para quem trabalha, o projeto também representa uma grande alternativa de melhora no atendimento à população. E participar significa uma sensação enorme de bem-estar. Pela menos essa é a impressão da R-2 Adriana Oshima. “Essa é a única forma de muitos pacientes realizarem a cirurgia. Antes de participar do mutirão, não tinha noção do número de pessoas que necessitava de atendimento. Isso dá uma consciência da importância do nosso trabalho e dá um sentimento muito bom”, diz Adriana, que já participou de oito eventos desse tipo. A R-1 Verônica Castro Lima também já percebeu o valor do mutirão. “A agilidade no atendimento é fantástica. Em termos de saúde pública, os mutirões são extremamente importantes e já fazem parte da história de vida de muita gente. Essa consciência e a experiência que a gente adquire são fundamentais para a nossa profissão”, conclui.
Legenda: De Alfenas até a Unifesp: sacrifício vale a pena |
Fotos: arquivo CBO
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