As redes sociais podem ser importantes ferramentas de auxílio ao tratamento de algumas doenças, mas seu uso isolado não basta!

A cada nova pesquisa em que se avalia a utilização das redes sociais, o número de adeptos aumenta. A pesquisa Digital in 2016, por exemplo, constatou que no Brasil existe uma média de 45% da população ativa em redes sociais. Outras pesquisas revelam números ainda mais expressivos. Foi justamente observando esse cenário que o grupo da Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP) aliou tecnologia com saúde na busca por promover a troca de informações entre médicos, de maneira rápida e com baixo custo. Dessa forma foi criado o Oncophone.
“O Oncophone surgiu para discutir casos de oncologia ocular de todo o Brasil e foi uma ideia do grupo da EPM/UNIFESP para ajudar pacientes que demoravam meses até serem avaliados em nosso ambulatório em São Paulo. Trata-se de um número de whatsapp (11-99899-7337) dedicado à troca de informações sobre Oncologia Ocular. É voltado para qualquer oftalmologista do Brasil, que pode enviar perguntas ou informações de pacientes para que a equipe da EPM opine sobre o diagnóstico e tratamento”, explica Rubens Belfort Neto, professor titular de Oftalmologia da EPM/UNIFESP.
Segundo Belfort, o objetivo do Oncophone é promover um diagnóstico mais precoce e um tratamento adequado para os casos de câncer ocular. “Com nossa orientação, a maior parte dos casos pode ser tratada pelo oftalmologista geral, sem a necessidade do paciente se deslocar até São Paulo. Acreditamos ser pioneiros neste sistema. Claro que todos os colegas usam whatsapp, mas desta vez o sistema é institucional e divulgado para todo o Brasil. Também não conhecemos um sistema assim fora do Brasil”, comenta.
Belfort ressaltou também que o número recebe dezenas de mensagens com perguntas e casos para discussão. “Os colegas ficam impressionados com a facilidade e rapidez nas respostas. Dessa forma conseguimos ajudar muitos pacientes. Vale lembrar que o câncer ocular pode ser curado se o diagnóstico for precoce e o tratamento correto. Esperamos ajudar muitos pacientes com esse sistema”, revela.
Os profissionais envolvidos nesse projeto fazem parte da equipe de orientadores de cirurgias e casos do ambulatório da UNIFESP. Além do professor Rubens Belfort, a chefe do setor de Oncologia Ocular da EPM, Melina Morales, e outros renomados especialistas: Aline Sutili, Cecília Cavalcanti, Patrícia Ferraz, André Vidoris, Márcio Costa e Patrícia Kange. O envolvimento de todos garante a agilidade na troca de informações.
O Oncophone estimula a divulgação de histórias e imagens para troca de informações e discussão com a equipe. Além disso, é mais uma oportunidade para inclusão de casos raros em protocolos de pesquisas e publicações. O foco principal é a discussão de casos de oncologia ocular: pálpebra, conjuntiva, córnea, íris, retina e coroide.
Cada caso é respondido separadamente, ou seja, não foi formado um grupo único, a fim de evitar conversas paralelas ou outros conteúdos incompatíveis com os objetivos. “O médico envia os dados da história do paciente e os exames de imagem e respondemos caso a caso com a conduta da EPM. Recebemos casos de todo o Brasil, não há uma região predominante. Recebemos inclusive casos da cidade de São Paulo, de oftalmologistas ou residentes”, conta.
Belfort frisa que a iniciativa isolada não é suficiente. “O acesso a algumas formas de tratamento, como, por exemplo, ao colírio de quimioterapia ou a placa de braquiterapia, é limitado em todo o Brasil. Mesmo que o colega oftalmologista discuta o caso e decidamos juntos qual a melhor conduta, em alguns casos continua havendo grande dificuldade para oferecer o tratamento adequado”, finaliza.