Os presidentes do evento contam o que os oftalmologistas podem esperar do maior evento da especialidade. Preparem-se, pois vem novidades por aí!

Estrutura de Primeiro Mundo, organização primorosa e muita participação são as promessas de David da Rocha Lucena e Dácio Carvalho Costa, presidentes do 61º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Realizado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o evento chega à capital cearense com o tema oficial Diagnósticos em Oftalmologia. O encontro será realizado entre 6 e 9 de setembro no Centro de Eventos de Fortaleza, segundo maior centro de convenções do Brasil e um dos mais modernos da América Latina. Dois meses antes do evento já havia três mil oftalmologistas inscritos, um número muito acima da média para o período, segundo David Lucena. A expectativa é que o público final fique em torno de cinco mil. Serão mais de 400 horas de programação em 14 salas simultâneas e mais de 700 palestrantes.
Pela terceira vez será realizado o curso Fundamentos em Oftalmologia, que traz conhecimentos básicos e consagrados para médicos que vão tentar a prova de título ou desejam se reciclar. O curso começa dia 5, portanto na véspera da abertura oficial do Congresso.
Os presidentes prometem organização impecável. “Nós nos empenhamos com a comissão organizadora para fazer cumprir os horários, para não ter atrasos, não falte ninguém em nenhuma aula, para garantir que não haja nenhum problema de última hora. Estamos bem preparados”, afirma Costa. Confira a entrevista:

Universo Visual – Qual a expectativa para este Congresso?
David Lucena – Queremos deixar um Congresso histórico. Estamos empenhados para que seja um dos melhores Congressos Brasileiros de todos os tempos. Estamos trabalhando para fazer uma coisa inesquecível. Queremos fazer uma parte científica perfeita, em que as pessoas saiam satisfeitas com as aulas, painéis, debates, com o conforto das salas. Nós temos um espaço muito grande, com capacidade para 6 mil congressistas. Temos salas de 1.500 lugares, de 750, de 500 e de 250. Juntando isso com palestras maravilhosas, teremos uma parte científica perfeita.
Dácio Carvalho Costa – Minhas expectativas são as melhores possíveis. Estamos trabalhando no Congresso já faz quatro anos, desde que Fortaleza ganhou a eleição para sede. Estamos nos preparando para receber os oftalmologistas de uma maneira bastante empenhada e acolhedora. Temos aqui o Centro de Eventos do Ceará, que foi inaugurado por volta da época da Copa e está desenhado para ser um dos melhores centros de convenções do Brasil. O design dele foi inspirado em grandes centros de eventos do mundo. Tem capacidade para receber até 30 mil pessoas. Vamos usar só uma parte do espaço. Nós temos 14 salas, todas muito bem preparadas para grandes eventos. Então a parte estrutural está muito boa. Fizemos reserva dos hotéis para receber os médicos nos dois grandes polos turísticos da cidade. Temos hotéis reservados na região da beira-mar e na região do Porto das Dunas, onde está o Beach Park. O Centro de Eventos é equidistante dos dois locais e está a cerca de 20 minutos de carro entre um ponto e outro.

UV – Qual a expectativa de público?
Lucena – Cinco mil oftalmologistas e um total de 6.500 pessoas entre médicos, pessoal de apoio e patrocinadores.

UV – O Congresso apresentará alguma novidade com relação ao formato de apresentações?
Costa – Vamos repetir o que funcionou bem nos outros anos. As apresentações são variadas. Em torno de 30% a 40% das apresentações serão em aulas formais. Nós teremos 60% das apresentações com painéis, entrevistas e roda-viva. Quando o médico já está no mercado de trabalho, e praticando, ele não precisa tanto daquela aula formal igual a colégio, ensinando o básico. Então, no painel, são apresentados casos clínicos selecionados. Por exemplo, um caso desafiador em glaucoma. Esses casos muitas vezes não têm uma solução só, mas três ou quatro opções de tratamento, que os painelistas vão discutir. Na roda-vida, um expert de uma determinada área é entrevistado por quatro ou cinco pessoas, como no programa Roda Viva da TV Cultura. Nas entrevistas, um entrevistador apresenta um assunto polêmico e entrevista quatro pessoas diferentes. Mesclando essas formas de apresentação, fica bem interessante para a pessoa que está participando do Congresso. Eu até mandei tirar as mesas da sala de aula. O palco vai ter formato de talk show, com as poltronas, mesinha ao lado e nada entre painelistas e entrevistador e a plateia. Fica aberto para a interação ser melhor.

UV – O Congresso deste ano vai repetir a Copa InterOftalmo de Conhecimento, jogo de perguntas e respostas com participação de equipes formadas por residentes, e a Gincana do Consultório do Dr. House, em que as equipes farão a anamnese de um ator simulando um paciente e terão que descobrir a enfermidade que o acomete. O que os senhores esperam dessas atividades este ano?
Lucena – Este ano vai ser melhor ainda, porque muitas pessoas que não participaram em Goiânia se arrependeram, porque foi muito empolgante. A gente escuta o tempo todo gente querendo participar das gincanas. Não vi essa expectativa quanto a essas atividades em Goiânia. Então, acredito que as duas atividades terão uma participação maior.

UV – Que temas controversos os senhores acreditam que serão mais marcantes neste Congresso?
Lucena – Nós temos hoje muitas áreas da oftalmologia que estão evoluindo muito, principalmente na retina, na catarata e na cirurgia refrativa. Então haverá belíssimos debates nos maiores avanços no tratamento de doenças da mácula, da retina, nos avanços na cirurgia refrativa. Em catarata, serão muito debatidos o uso do laser e a qualidade das novas lentes internacionais disponíveis no mercado, além dos cálculos dessa leitura em torno dessas lentes. Tem excelentes espaços para discutir os avanços no glaucoma, o uso do laser e o uso das principais medicações. Então, essas são as principais áreas que certamente vão ter debates bem chamativos.
Costa – Cada subespecialidade terá seus assuntos de destaque, então é até difícil dizer tudo.

UV – Já na parte comercial, haverá lançamento de alguma novidade tecnológica neste Congresso?
Lucena – As empresas geralmente guardam surpresa, mas eu já sei que a Alcon vai fazer uma grande divulgação da cirurgia de mácula em terceira dimensão. É uma coisa que vai facilitar muito os cirurgiões de retina e o lançamento oficial vai ser no Congresso em Fortaleza. Além disso, eles devem lançar até janeiro também cirurgia em 3D também para catarata.

UV – Quantos convidados internacionais haverá neste Congresso?
Lucena – Entre 15 e 20.

UV – Desses palestrantes internacionais, tem algum tema que o senhor destacaria?
Lucena – A Dra. Zelia Correa, professora da Universidade de Cincinatti (EUA), vai falar de avanços bem interessantes no tratamento dos principais tumores intraoculares. O Prof. Felipe Medeiros, dos EUA, vai falar da parte de glaucoma. Ele hoje é um dos principais glaucomatólogos no mundo. Por coincidência, é cearense. Ele fez a faculdade na USP e residência médica, mestrado e doutorado nos EUA e hoje é professor da Universidade da Califórnia. Dentre os internacionais, eu destacaria os dois.

UV – O aplicativo do Congresso tem várias funcionalidades que são semelhantes a uma rede social, com muita interatividade. Como isso poderá contribuir para as atividades do Congresso?
Costa – O aplicativo está sensacional! O Congresso não deixa de ser uma festa. Então você publica conteúdo social, encontra um colega de residência que não via há tempos, por exemplo. Isso gera uma sensação de pertencimento ao evento. Além disso, o aplicativo permite consultar todas as aulas e fazer uma agenda das coisas que interessam. Então, você pode montar a sua grade das atividades de que quer participar.
Lucena – Vai ser maravilhoso esse aplicativo. A gente estava até em dúvida se já era o momento de tirar a programação em papel. Mas não, tem que ir tirando aos poucos. Na última ARVO (encontro anual da Associação para Pesquisa em Visão e Oftalmologia – ARVO, dos EUA) em Baltimore, só tinha a programação no aplicativo.

UV – O que o congressista pode esperar da cerimônia de abertura?
Costa – Olha, o que o pessoal mais quer saber é se vai ser curta (risos). Nós estamos tentando fazer uma cerimônia com menos homenagens, porém homenagens justas. Vai ser uma cerimônia mais curta, com o tempo respeitado. A parte festiva da cerimônia de abertura vai ser um espetáculo musical com o sanfoneiro Waldonys e a Orquestra de Câmara da Universidade de Fortaleza (Unifor), que é um dos musicais mais bonitos que a cidade tem para mostrar. Vai ter uma mistura de homenagem, gratidão e ao mesmo tempo arte.

UV – Como está a programação cultural?
Lucena – Na parte social queremos também confraternizar com a oftalmologia, com a abertura na quarta-feira. Na quinta-feira, dia 7, vamos fazer um encontro informal com os palestrantes internacionais e principais palestrantes nacionais e na sexta-feira, dia 8, uma grande festa de confraternização no Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza, que é um dos maiores espaços de festas de Fortaleza, com um mega-show do Dorgival Dantas, que é hoje o principal nome do forró nordestino.
Costa – O Terminal Marítimo de Passageiros é um apêndice do Porto do Mucuripe, que é onde atracam os navios de cruzeiro. Quando não tem cruzeiro, podem ser realizados eventos. Então a festa vai ser como um luau. Vai ser noite de lua cheia, a maré não vai estar alta e se poderá ver o perfil da orla de Fortaleza. É um visual belíssimo. Acho que vai ser uma festa inesquecível. Como atração musical, teremos o show do Dorgival Dantas, que compôs várias músicas famosas, que muita gente pensa ser de outras bandas, como os Aviões do Forró ou do Wesley Safadão. Ele é tio do Safadão, por sinal, e foi ele que o lançou no mundo artístico.