A vez da tecnologia

A matéria de capa desta edição traz a cobertura completa do CBO 2017, realizado em setembro em Fortaleza. Aos olhos da nossa repórter Sabrina Duran, o evento foi um dos melhores já visto até agora. Reuniu quatro mil médicos inscritos, 700 palestrantes, 400 horas/aula de grade científica, 83 empresas expositoras, três mil metros quadrados de feira comercial; ao todo, seis mil participantes, entre palestrantes, expositores, médicos, acompanhantes e pessoas de áreas afins. Foi interessante observar como a tecnologia mudou (e continuará mudando) o hábito dos congressistas: nessa edição, o digital veio com força total, e fez a grande maioria dos presentes consultar a grade de programação científica pelo aplicativo do congresso. As empresas expositoras também investiram em tecnologia, e apostaram no uso de equipamentos de realidade virtual para apresentar seus produtos aos congressistas – e uma delas, chegou a dar como brinde aos participantes de uma das atividades do CBO óculos 3D para uso com celular acoplado.
Wi-fi, aplicativos, equipamentos de realidade virtual, cobertura das atividades publicada nas redes sociais do congresso e outros recursos tecnológicos usados no evento anual são realidades naturais à especialidade, que se destaca entre outras pelo uso intensivo de alta tecnologia no diagnóstico e tratamento das patologias.
Como sabemos, a tecnologia de ponta chegou para ficar. Claro, ainda há um longo caminho a percorrer… mas já foi dada a largada. Apertem os cintos e preparem-se!

Boa leitura!
EXPFlavioFlavio Bitelman
Publisher – fbitelman@universovisual.com.br

 

 

 

Caros colegas,

A oftalmologia avançou mais nas últimas décadas do que nos últimos séculos, em análise simplista, devido a corrida tecnológica. Na Universo Visual, em todas as edições, temos artigos comemorativos deste avanço. Neste número o assunto tecnologia é abordado por Tânia Schaefer que destaca o avanço global da miopia, a qualidade da visão em relação a produtividade e aos erros refracionais.
Paulo Schor de maneira sutil define a importância da postura do médico, com o paciente, que deve buscar, com palavras adequadas em cada situação, a construção de uma linha de pensamento clara com imagens objetivas que resolvam dúvidas e traga segurança a pessoa que nos procura imersa em um mundo gigantesco de informações de todos lados. O carácter humanístico de nossa relação ainda deve preponderar.
Finalmente, voltamos ao assunto de mercado oftalmológico e a venda de clínicas com o artigo: Vale a pena vender minha clínica? A primeira pergunta poderia ser outra: a oftalmologia tem as mesmas características de outras especialidades que estão passando por este movimento? Porque a oftalmologia está sendo alvo de alguns fundos financeiros, chamados de Private Equity? A resposta parece estar associada ao que chamam de “tese de investimento” que envolve uma grande quantidade de novos nomes e termos que frequentemente são mencionados, dentre os quais: consolidação de setor fragmentado, captação de sinergias, geração de caixa, dentre muitas outras justificativas, que incluem ainda dezenas de outros termos e siglas a maioria de origem da língua inglesa, a mais comum de todas o EBTIDA. E quanto a resposta a provocação do título do artigo, vale a pena? A resposta é muito complexa e o excelente artigo salienta, dentre muitos outros, somente 3 aspectos da questão: os valores pagos, o futuro em relação ao legado do esforço e trabalho árduo dos fundadores e das famílias e a própria negociação. O fato central é que, ao contrário de outros países, a maioria das clínicas oftalmológicas no Brasil foram construídas como um “valor de qualidade assistencial” e não como um “ativo com valor venal” e por isto não estão preparadas na totalidade para este novo movimento. Conhecer o seu valor (ao qual chamam de “valuation”) envolve muitos aspectos tangíveis e intangíveis parece ser o primeiro passo para o processo decisório correto, seguido de outras ponderações necessárias e essenciais antes do passo final, sem volta após o negócio fechado. Qualquer que seja a decisão o certo é mantermos o trabalho de excelência nos nossos consultórios e clínicas e com isto mantendo-as crescendo e ajudando nossos clientes, que ao final é o que interessa.

Marcos AvilaMarcos Ávila
Editor clínico